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Bares de Vinho no Brasil: Como Construir um Negócio Rentável

O movimento não é só de São Paulo

A primeira coisa que precisa ficar clara: esse crescimento não é um fenômeno paulistano. Estamos vendo bares de vinho nascerem em capitais, em cidades médias e até em praças que, até pouco tempo atrás, ninguém apostava como mercado para vinho. O consumidor brasileiro amadureceu. Ele busca experiência, quer aprender enquanto bebe, e perdeu o receio de entrar em um lugar especializado achando que “não vai entender nada do cardápio”.

Isso é ótimo. É a democratização de um universo que, por muito tempo, pareceu reservado a poucos.

A pergunta que a matéria não fez: abrir um bar é suficiente?

Aqui está a segunda observação, é ela a mais importante de todas: será que apenas abrir um bar de vinhos garante um negócio sólido e rentável?

Na nossa experiência, a resposta é não.

Ao longo dos últimos anos, o Grupo Venda Mais Vinho já analisou, mentorou ou acompanhou de perto quase cinco mil negócios ligados ao mercado de vinhos – lojas, importadoras, vinícolas, distribuidores, supermercados, restaurantes e bares. E existe uma conclusão que se repete quase sem exceção: os negócios mais consistentes são os que não dependem de um único canal de receita.

O bar de vinhos, isoladamente, é um ótimo ponto de partida. Ele aproxima o consumidor, estimula a experimentação, cria vínculo e entrega uma experiência que o supermercado nunca vai oferecer. O problema começa quando toda a operação fica presa a esse único formato. Depender só do consumo dentro do estabelecimento significa depender do número de mesas ocupadas, da sazonalidade do movimento, dos custos crescentes de operação (aluguel, equipe, insumos) e da capacidade física do espaço, que não cresce junto com a demanda.

Um bar lotado numa sexta-feira e vazio numa terça não é um problema de marketing. É um problema de modelo de negócio.

O bar como centro de um ecossistema

É por isso que defendemos algo diferente: o bar não precisa ser o negócio inteiro. Ele pode (e deve) ser o centro de um ecossistema.

A mesma operação que serve uma taça hoje à noite pode, ao mesmo tempo:

  • Vender garrafas para consumo em casa
  • Operar uma loja física complementar
  • Ter um e-commerce próprio
  • Realizar eventos temáticos e degustações
  • Oferecer cursos e vivências sobre vinho
  • Criar um clube de assinatura
  • Construir uma comunidade de clientes apaixonados pela categoria

Cada uma dessas frentes amplia a recorrência de compra, aumenta o ticket médio do cliente ao longo do tempo e, o mais importante, reduz a dependência de uma única fonte de faturamento. Se uma semana o movimento no salão cai, o e-commerce, o clube de assinatura ou um evento fechado seguram o resultado do mês.

Vender vinho é fácil. Construir relacionamento é o diferencial

FIGIÊNCIA: físico, digital e experiência como um só sistema

No Grupo Venda Mais Vinho, chamamos esse conceito de FIGIÊNCIA: a integração entre o físico, o digital e a experiência.

Na prática, funciona assim: o cliente conhece o seu negócio no bar. Compra uma garrafa para levar para casa. Continua sendo impactado pelo seu conteúdo nas redes sociais durante a semana. Recebe uma oferta pelo e-commerce. É convidado para um evento. Participa. Volta para uma nova experiência.

Cada ponto de contato fortalece o seguinte. O físico alimenta o digital, o digital traz o cliente de volta ao físico, e a experiência é o fio que costura tudo isso, transformando um consumidor ocasional em um cliente fiel, que gasta mais e indica seu negócio para outras pessoas.

O começo de um movimento, não o fim dele

A matéria da Veja mostra que os bares de vinho estão em alta agora. Nós acreditamos que isso é apenas o começo. O crescimento real do setor não vai acontecer só por conta da abertura de novos endereços. Vai acontecer com os empresários que entenderem que o futuro não está em abrir um bar, mas em construir um modelo de negócio integrado, capaz de gerar relacionamento, recorrência e rentabilidade ao mesmo tempo.

O vinho deixou de ser apenas uma bebida. Hoje, ele é uma experiência. E os negócios que entendem isso param de competir por preço e passam a competir por valor, um jogo bem mais rentável e sustentável no longo prazo.

A pergunta certa para quem já está no mercado (ou quer entrar)

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Diego Bertolini

Empresário, mentor e especialista em estratégia comercial e performance para empresas do mercado de vinhos.

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